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Coluna Rogério Lisboa

A Mídia esquece, mas ser ídolo é para sempre
Os ídolos fazem parte daqueles seres humanos que têm algo a mais para acrescentar no mundo sonhador de quem está na arquibancada de fã. Em todos os segmentos da sociedade existem ídolos e no bodyboard não é diferente. Nunca o fanatismo, mas a idolatria faz parte da perseguição do ideal.
Guilherme Tamega botando para dentro do tubo!
Guilherme Tâmega quando surgiu nas páginas da extinta Fluir Bodyboard era apenas um garoto. Quem diria que aquele guri que tinha o campeão havaiano Mike Stewart como a fera do esporte, fosse se tornar ídolo até mesmo de seu ídolo e também de outros bodyboarders do Brasil e do exterior. Na época, na Rádio Gaúcha, quando entrevistei Tâmega pelo penta-campeonato mundial de bodyboard, após a entrevista passei da imparcialidade de jornalista para fã, afirmando para ele quanto representava para a molecada um líder brasileiro no bodyboard de elite no Havaí. Alguém para se espelharem. Alguém que os fazia crer quanto o brasileiro tem raça. Independente do tamanho das ondas.

Quando comprei a minha primeira Mach 7.7, da Morey Boogie, na época uma nave disfarçada de prancha, sem querer comprei uma das poucas que haviam chegado no mercado gaúcho de espuma amarela e fundo laranja. Igual a do mega-bodyboarder Mike Stewart. O mesmo que era ídolo de Tâmega. Também meu ídolo.

Sonhava de olhos abertos com as manobras que o Mister Pipeline – apelido dado pela Imprensa especializada e pelos amigos havaianos à Stewart – fazia e tentava repetir, nem que fosse um décimo do que o cara realizava no mar. Tem gente que nasce com o dom. E Mike Stewart tem o dom e teve a permissão de Iemanjá e Netuno para detonar dentro d’água. E sempre aproveitou essa oportunidade.

O mito Stewart

Mike Stewart dropando Pipeline gigante!

Em 76 Stewart despencava nas ondas de onde nasceu, Big Island, no Havaí, tendo aí 12 anos de idade. Não tendo um professor ou outros bodyboarders, já que o esporte era novo, ele se jogava em ondas sobre as pedras onde nenhum surfista tinha condições de encarar. O destino um dia trouxe um grande aliado. Das sessões solitárias de bodyboard, chegou para morar como vizinho a lenda e criador do bodyboard Tom Morey, que construiu a primeira prancha em 1971. Assumindo praticamente Mike Stewart como um “filho”, Tom dividiu com Mike a sua curiosidade e trabalho sobre novos shapes, desenhos aerodinâmicos, novos materiais e diferentes formatos para pés-de-pato.

Ao se questionar quem é o rei de surfar Pipeline em dias cabulosos e permanecer mais tempo dentro do tubo, muitos bodyboarders ainda tem na mente: Mike Stewart.

Em um tempo em que a mídia constrói e derruba lendas num piscar de olhos, manter-se ídolo é uma tarefa árdua. Viver de surfar então, nem se fala. Os prêmios em dinheiro, mesmo lá fora, geralmente são apenas para o primeiro lugar. O resto da macacada ganha apenas prêmios. Mas como ninguém come bermuda ou mastiga neoprene para se alimentar, se você não for o primeiro, corre o risco de perder o trono de líder e ídolo.

O Brasil produz ídolos em massa. É uma fábrica de talentos. Ao mesmo tempo parece que não tem onde armazenar essa produção, já que esquecemos com facilidade os nomes de quem foi muito bom no que fazia. O nome da moda é aquele que ganhou o último evento e que sofram os anteriores. Xandinho Pontes, Paulo Esteves, Cláudia Ferrari, Marcus Kung, Glenda Kozlowski, Daniela Freitas, e mais uma lista interminável foram e para muitos ainda são ídolos. Nosso País tem que às vezes resgatar a memória, pois só é soberano um povo que tem passado e aprende com ele.

Tenha sempre um ídolo, meu caro bodyboarder. Seu pai, um amigo ou o maior de todos: Deus. Mas nunca, nunca deixe de sonhar. Porque a vida se constrói através de metas e alguém tem que ajudar-nos a chegar lá.

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Rogério Lisbôa é jornalista especializado na área e bodyboarder. Já foi culunista dos veículos especializados Quiver e Top Surf, ambos do Rio Grande do Sul e também escreveu para o portal de Ponta Negra, do Rio de Janeiro sobre bodyboard. Foi locutor oficial da Federação Gaúcha de Bodyboard e organizador de campeonatos. Fez viagens pelo país e pelo mundo observando e escrevendo sobre o esporte.