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Coluna Rogério Lisboa

Carnaval das antigas

Cada vez que chega o Carnaval vem as lembranças de grandes carnavais. Para alguns representa gastar muito e assistir desfile de escola de samba no Rio de Janeiro. Para quem pega onda representa boas lembranças e com a grana contadinha no bolso. Todo mundo quando se fala em Carnaval tem um sorriso estampado no rosto.

Aquela indiada de primeira linha, aquele mostrinho que o cara pegou porque passou da conta na mistura venenosa de Velho Barreiro com algo que encontrasse na estante de casa, enfim, aquela puta ressaca tentando surfar no outro dia com o sol na testa e o estômago parecendo que tinha uma lula viva dentro.

Carnaval que aqui falo é dos brothers unidos, no melhor e nas roubadas. Dos brothers unidos para segurar o brother que já estava “ pra lá de Bagdá”. Da união em volta de uma diversão. Sem violência, sem babaquice, sem funk rolando. Carnaval do pirata da perna-de-pau. Carnaval de um bom samba. Carnaval que desde o coroa até o piá cantava dentro da baia sem ninguém ficar em dúvida se seria uma letra dupla.

Falo de passar um Carnaval na noite dentro da caranga com a gata, vidros embaçados e ver de manhã o sol saindo de dentro do mar. Carnaval de chegar no apê na madruga, caindo de bêbado e tentando não derrubar nada pra não acordar os coroas. Carnaval com lança. Carnaval sem lança - porque não comeu ninguém - só um churros na carrocinha do tio às 5 da matina.

Carnaval de contando as horas no relógio para ir para a praia. Da época que a Free-way era antiga conhecida da tribo que pega onda. Afinal todos os finais-de-semana o destino era o litoral. E não só no Carnaval que lota cada centímetro da estrada. Carnaval de contar quantas gatas deu uns beijos. Carnaval de descobrir que por uma das gatas um dia podia se apaixonar. E formar uma família. Carnaval de olhar os brothers tendo filhotes. Alguns já adquiridos durante o Carnaval.

“O tempo não pára” dizia o poeta do Barão. Que pena. Tem horas que ele deveria parar, olhar pra gente e perguntar: - E aí, valeu à pena? É claro que sim, meu velho.

 

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Rogério Lisbôa é jornalista especializado na área e bodyboarder. Já foi colunista dos veículos especializados Quiver e Top Surf, ambos do Rio Grande do Sul e também escreveu para o portal de Ponta Negra, do Rio de Janeiro sobre bodyboard. Foi locutor oficial da Federação Gaúcha de Bodyboard e organizador de campeonatos. Fez viagens pelo país e pelo mundo observando e escrevendo sobre o esporte.