|
Cada vez que chega o Carnaval vem as lembranças de
grandes carnavais. Para alguns representa gastar muito e assistir
desfile de escola de samba no Rio de Janeiro. Para quem pega
onda representa boas lembranças e com a grana contadinha
no bolso. Todo mundo quando se fala em Carnaval tem um sorriso
estampado no rosto.
Aquela indiada de primeira linha, aquele
mostrinho que o cara pegou porque passou da conta na mistura
venenosa de Velho Barreiro com algo que encontrasse na estante
de casa, enfim, aquela puta ressaca tentando surfar no outro
dia com o sol na testa e o estômago parecendo que tinha
uma lula viva dentro.
Carnaval que aqui falo é dos brothers
unidos, no melhor e nas roubadas. Dos brothers unidos para
segurar o brother que já estava “ pra lá
de Bagdá”. Da união em volta de uma diversão.
Sem violência, sem babaquice, sem funk rolando. Carnaval
do pirata da perna-de-pau. Carnaval de um bom samba. Carnaval
que desde o coroa até o piá cantava dentro da
baia sem ninguém ficar em dúvida se seria uma
letra dupla.
Falo de passar um Carnaval na noite dentro
da caranga com a gata, vidros embaçados e ver de manhã
o sol saindo de dentro do mar. Carnaval de chegar no apê
na madruga, caindo de bêbado e tentando não derrubar
nada pra não acordar os coroas. Carnaval com lança.
Carnaval sem lança - porque não comeu ninguém
- só um churros na carrocinha do tio às 5 da
matina.
Carnaval de contando as horas no relógio
para ir para a praia. Da época que a Free-way era antiga
conhecida da tribo que pega onda. Afinal todos os finais-de-semana
o destino era o litoral. E não só no Carnaval
que lota cada centímetro da estrada. Carnaval de contar
quantas gatas deu uns beijos. Carnaval de descobrir que por
uma das gatas um dia podia se apaixonar. E formar uma família.
Carnaval de olhar os brothers tendo filhotes. Alguns já
adquiridos durante o Carnaval.
“O tempo não pára”
dizia o poeta do Barão. Que pena. Tem horas que ele
deveria parar, olhar pra gente e perguntar: - E aí,
valeu à pena? É claro que sim, meu velho.
|