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Coluna Rogério Lisboa

Pequenos detalhes, grandes mudanças

Sempre defendi a necessidade do surfista ou bodyboarder aprender um pouco sobre primeiros-socorros. Em mares de verão, então, o perigo está no número de pranchas e banhistas dentro d´água. Afogamento, uma quilha na cabeça, um ataque epilético, como fazer uma massagem cardíaca, enfim, o seu amigo tem que saber o mínimo o que fazer antes que chegue ajuda especializada. Segundos nesses momentos significam vida.

Acredito que uma conversa de associações de surf e bodyboard com bombeiros e salva-vidas da sua praia destacando essa preocupação já é o suficiente para despertar o interesse nesses casos. Perdi um grande amigo que fez uma refeição e não esperou o tempo certo de digestão. São coisas que a gente acredita que só acontecem com os outros. Infelizmente ele teve uma congestão dentro do mar. No out-side e veio a falecer. Um lugar que ninguém poderia saber que iria acontecer.

São detalhes. Mas como diz um amigo: “Um terno Armani pode custar até U$ 5.000 e o botãozinho é apenas um detalhe. Mas coloca um botão amarelo em um terno marrom pra você ver o estrago que vai fazer esse detalhe”. É mais ou menos isso que a gente tem que ter em mente. Surfar é segurança acima de tudo. Cada um tem o seu tempo, cada um tem o seu limite, cada um sabe onde aperta mais o pé de pato.

Aprendizado nunca é demais. Saber sobre primeiros-socorros, aprender a observar o mar, não surfar com temporal ( por causa dos raios – em uma pequena pesquisada você vai ver o número de mortes por descargas elétricas no mar), observar locais com redes de pesca, tudo são pequenos detalhes. Que podem salvar a sua vida.

Antes de terminar o texto lembrei de outra coisa.

Um amigo meu surfava e não sabia nadar. Confiava no leash e nos dedos fortes para segurar a prancha.

Gurizada, o mínimo pra se poder surfar é saber nadar. Sei lá, cachorrinho, costas, borboleta, peito, maluco desesperado, qualquer coisa, mas quem pega onda tem que saber nadar. Se você não sabe também pede umas aulas para a gata, o amigo, a sua mãe, a sogra (bem, essa aqui não precisa), qualquer pessoa. Sempre é tempo de aprender. A sorte nos ajuda, mas tem hora que ela também tem que sair pra almoçar e aí que nós ficamos no aperto.

Mas fique tranquilo. São coisas que só acontecem com os outros.... ou não.

 

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Rogério Lisbôa é jornalista especializado na área e bodyboarder. Já foi colunista dos veículos especializados Quiver e Top Surf, ambos do Rio Grande do Sul e também escreveu para o portal de Ponta Negra, do Rio de Janeiro sobre bodyboard. Foi locutor oficial da Federação Gaúcha de Bodyboard e organizador de campeonatos. Fez viagens pelo país e pelo mundo observando e escrevendo sobre o esporte.