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Coluna Rogério Lisboa

Doideira é não pegar a saideira desse mar

Tomar decisões dentro d’água requer antes de tudo responsabilidade. Seja para despencar em uma onda grande, revidar alguma palavra dita por algum local, seja simplesmente para decidir se vai ou não dropar uma saideira fechando inteirinha.

No universo de quem pega onda não é diferente. Às vezes é difícil escolher qual caminho seguir. Não poucos se detonam na loucura em novos “baratos” – muitos brothers meus fizeram e fazem isso – mas nunca podemos esquecer que sempre se paga um preço. A questão aqui não é ser careta, já me enlouqueci bastante também, a questão é de que nada na vida é de graça. A lei de que tudo que vai, volta.

Chá de cogu, baseado, cocaína, ácido, êxtase, enfim, o cardápio é grande. E garçom servindo esse menu tem em toda esquina. Na época de quartel tinha brother que fervia fita-cassete para tomar o cromo junto. Se fosse TDK 90 minutos então, nem se fala, dava mais chá. O que tem que entrar na cabeça é algo mais que isso. O que tem que explodir o melão é muito mais que isso. É vida, gurizada. Vida.

Muitos passam por essa fase de locurada e como eu disse, é apenas uma fase. O problema é quando essa fase passa para outras fases, até chegar a zerar o jogo. Nesse caso, game over. Saliento novamente, aqui não tento dar lição de moral, quem sou eu para tentar dar lição de moral, cada um sabe onde a fumaça lhe deixa mais louco.

Também não aceito o papo de que a família está desestruturada e por isso “afundo o pé na lama”. Neguinho maior responde por seus atos. Não coloque a culpa nos coroas, na namorada, no viado do vizinho. Cada um sabe o que se faz para ficar legal ou não.

Falo porque já perdi amigos na estrada, no mar, ou correndo atrás de seres que não existiam. Falo porque já vi sofrimento de coroas por causa de filhos vendendo tudo que tinha na baia para “dar um teco”.

Acredito que a maior droga que existe na realidade é um mar flat, com vento gelado na cara e a roupa de borracha que não esquenta. E mesmo com toda essa droga, você ali sentado na pranchinha, está sempre doidão de felicidade.

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Rogério Lisbôa é jornalista especializado na área e bodyboarder. Já foi colunista dos veículos especializados Quiver e Top Surf, ambos do Rio Grande do Sul e também escreveu para o portal de Ponta Negra, do Rio de Janeiro sobre bodyboard. Foi locutor oficial da Federação Gaúcha de Bodyboard e organizador de campeonatos. Fez viagens pelo país e pelo mundo observando e escrevendo sobre o esporte.