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Coluna Rogério Lisboa

Mar de Verão: ideal para novas manobras

Guilherme Tamega botando para dentro do tubo!

Aprendi a dar o 360º com as mãos no bodyboard em um marzinho ridículo de 30 cm. Pegava a onda, tentava e ela me deixava pelo caminho. Remava na de trás, girava e ficava pelo caminho. Passei o dia inteirinho nesse esforço e sempre ficando pra trás. Lamentável, pra não dizer ridículo.

No outro dia o mar cresceu e percebi que aquele treino no dia anterior – aquele mesmo, ridículo – me proporcionou bons giros e com impacto em ondas de maior responsabilidade. Do 360º com as mãos para o de giro de pescoço e de pernas e para o 360º aéreo foi só treino, com algumas vacas ridículas (é claro) e outras nem tanto.

Marzinho de Verão é que nem namorinho de verão. Tu sempre tem algum que se lembra ou alguma gatinha que você deu uns beijos e ficou na sua memória estampado com um sorriso. Cada qual com suas características. Com chuva, com séries definidas de 5 ondas, com um out-side meia boca – afinal é verão e o mar geralmente está mais flat – enfim, surfar um mar de verão sempre é prazeroso.

Mike Stewart dropando Pipeline gigante!

Novas manobras devem ser treinadas principalmente em mares pequenos para que quando você já estiver dominando a técnica desenvolvê-la em mares casca-grossa. Tomei muita ondinha pequena na cabeça pra desenvolver um El Rollo, meu amigo, e pode ter certeza de que errar essa manobra em mares maiores dói bem mais na hora de vaquear. E também apavora.

Me recordo do primeiro mar realmente storm que peguei na Joaquina, em Santa Catarina, ao lado da pedra do Careca. Eu já tinha visto inúmeras fotos, já tinha despencado em Capão no out-side e tinha lido muito sobre mares grandes.

Quer dizer, na teoria sabia tudo, mas do que adianta a teoria se na prática o pato não coloca ovo?

E era um mar grande daqueles que quebram com meio metro d´água embaixo. Se tu vaquear no mínimo um nariz quebrado ou uma perna ao contrário o cara fica. Adrenalina, desespero, tubo. Tubo... tubo...tubo... a palavra mágica de quem pega onda.

Se eu não tivesse treinado em Mares de Verão, certamente não adiantaria nada a teoria. E nesse dia, se o pato não colocou ovo, pelo menos ficou impressionado – assim como eu – com o salão azul que rodava por cima.


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Rogério Lisbôa é jornalista especializado na área e bodyboarder. Já foi colunista dos veículos especializados Quiver e Top Surf, ambos do Rio Grande do Sul e também escreveu para o portal de Ponta Negra, do Rio de Janeiro sobre bodyboard. Foi locutor oficial da Federação Gaúcha de Bodyboard e organizador de campeonatos. Fez viagens pelo país e pelo mundo observando e escrevendo sobre o esporte.