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Aprendi a dar o 360º com as mãos no bodyboard
em um marzinho ridículo de 30 cm. Pegava a onda,
tentava e ela me deixava pelo caminho. Remava na de trás,
girava e ficava pelo caminho. Passei o dia inteirinho nesse
esforço e sempre ficando pra trás. Lamentável,
pra não dizer ridículo.
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No outro dia o mar cresceu e percebi que aquele
treino no dia anterior – aquele mesmo, ridículo –
me proporcionou bons giros e com impacto em ondas de maior responsabilidade.
Do 360º com as mãos para o de giro de pescoço
e de pernas e para o 360º aéreo foi só treino,
com algumas vacas ridículas (é claro) e outras nem
tanto.
Marzinho de Verão é que nem namorinho
de verão. Tu sempre tem algum que se lembra ou alguma gatinha
que você deu uns beijos e ficou na sua memória estampado
com um sorriso. Cada qual com suas características. Com chuva,
com séries definidas de 5 ondas, com um out-side meia boca
– afinal é verão e o mar geralmente está
mais flat – enfim, surfar um mar de verão sempre é
prazeroso.
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Novas
manobras devem ser treinadas principalmente em mares pequenos
para que quando você já estiver dominando a técnica
desenvolvê-la em mares casca-grossa. Tomei muita ondinha
pequena na cabeça pra desenvolver um El Rollo, meu
amigo, e pode ter certeza de que errar essa manobra em mares
maiores dói bem mais na hora de vaquear. E também
apavora.
Me recordo do primeiro mar
realmente storm que peguei na Joaquina, em Santa Catarina,
ao lado da pedra do Careca. Eu já tinha visto inúmeras
fotos, já tinha despencado em Capão no out-side
e tinha lido muito sobre mares grandes. |
Quer dizer, na teoria sabia tudo, mas do que adianta a teoria se
na prática o pato não coloca ovo?
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E era um mar
grande daqueles que quebram com meio metro d´água
embaixo. Se tu vaquear no mínimo um nariz quebrado
ou uma perna ao contrário o cara fica. Adrenalina,
desespero, tubo. Tubo... tubo...tubo... a palavra mágica
de quem pega onda.
Se eu não tivesse treinado em Mares
de Verão, certamente não adiantaria nada a teoria.
E nesse dia, se o pato não colocou ovo, pelo menos
ficou impressionado – assim como eu – com o salão
azul que rodava por cima. |
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